
As origens do Arquivo Público do Estado de Sergipe (APES) remontam à antiga Biblioteca Provincial de Sergipe de São Cristóvão, criada pela Lei nº 233, de 16 de junho de 1848, a qual o arquivo vinculava-se como uma seção. Somente em 1923 o APES é institucionalizado pela lei nº 845, de 15 de outubro de 1923, no governo Graccho Cardoso. Em 1926, o Arquivo volta a ser uma seção da Biblioteca por falta de recursos e é “recriado” pelo Decreto-lei nº 617, de 03 de abril de 1945, na Interventoria Federal de Maynard Gomes.
Em relação à estrutura administrativa, o primeiro Regimento Interno é datado de 1926 e o último, que ainda está vigente, foi promulgado em 13 de junho de 1971, através da Lei nº 2080. Nesse sentido, em 20 de dezembro de 1978, houve a instituição do Sistema Estadual de Arquivos- SIESAR pela Lei nº 2202, regulamentada pelo Decreto nº 4.507 de 19 de novembro de 1979.
A documentação que compõe o acervo do APES foi abrigada em vários prédios de Aracaju. Após desvincular-se da Biblioteca Pública, em 1947, foi colocada nos porões da antiga Assembleia Legislativa, onde permaneceu até 1964, quando teve sua documentação transferida para a antiga Escola Normal, ficando até 1970, momento em que passou para o antigo prédio do Atheneu (Atheneuzinho). Em 1975, a documentação do APES foi transferida para o Palácio Carvalho Neto, onde ainda hoje permanece, estando distribuída em sete fundos arquivísticos: Governo, Educação, Segurança Pública, Fazenda, Viação e Obras Públicas, Agricultura e Justiça.
Além dos fundos, o APES possui coleções de duas naturezas: coleções existentes antes do processo de arranjo da década de 1970, que foram mantidas, recebendo arranjo interno para melhor compreensão do seu conteúdo, são elas: Assembleia Legislativa, Câmaras Municipais, Tribunal Eleitoral, Acervo Geral (Escravos, Clero, Poder Judiciário, Intendência, Ministério da Agricultura, Registro Civil e Diversos Papeis) e as coleções particulares, em número de 12: Gumercindo Bessa, José Sebrão de Carvalho Sobrinho, Epifânio da Fonseca Dória, Durval Freire, José Augusto Garcez, Balthazar de Araújo Góes, Francisco Antonio de Carvalho Lima Junior, Cícero Dantas Martins, Manoel Campos Oliveira, José do Patrocínio Filho, João Freire Ribeiro e Luiz Mott. O limite temporal da documentação abrange os anos de 1692 a 1993.
Assim sendo, o APES abriga mais de 2 milhões de documentos arquivísticos, 10 mil obras bibliográficas, entre livros e periódicos, 220 documentos cartográficos, mais de 2000 fotografias, além dos documentos produzidos e acumulados administrativamente pela instituição. Nesse universo, destacam-se o documento mais antigo do APES, uma escritura de compra e venda de uma propriedade rural da povoação de Itabaiana de 21 de janeiro de 1692, pertencente à Coleção Particular de Sebrão Sobrinho, bem como peças teatrais que passaram por censura do Departamento de Polícia Federal durante a Ditadura Militar.
Atualmente, o APES integra a estrutura da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (SEDUC) e nos últimos anos vem desenvolvendo uma série de ações para apresentar seus acervos e a sua história, as quais legitimam a instituição não somente como uma Casa de Memória, mas também uma Casa de Cultura, Formação e de Gestão Documental, dando pleno acesso à informação e garantindo direitos aos cidadãos sergipanos.